sábado, 19 de abril de 2008

Mar de Escolhas

Guida Linhares

No mar da vida vamos tecendo lembranças,
de tantas coisas boas e também das ruins.
De tudo aquilo que nos trouxe esperanças,
de sermos felizes como alegres querubins.

Na tábua das marés deitamos os sonhos,
a embalarem dias e noites insones de mim.
A relembrar outros tempos, quiçá risonhos,
quando tudo eram flores de um imenso jardim.

Nas ondas borbulhantes do mar sem fim,
deixamos que as rosas molhassem seu pranto,
ressentido, fragmentado na agonia e por fim,
das sobras do naufrágio, restou apenas desencanto.

Na dinâmica da vida, aberta a janela das ilusões,
mergulhamos os sentimentos agora recuperados.
No caramujo que toca o parapeito das sensações,
vivenciamos alegres momentos de magia eivados.

Ao som das marolas que surgem nas tardes,
escutamos o teu eco de amor que nos chama,
a reviver a plenitude da paixão sem alardes,
em deliciosas doses de um mel em derrama.

Debruçamos na janela, ouvindo a doce melodia,
composta por um romântico coração que palpita.
Com suaves palavras onde expressa a sincronia,
que há de nos envolver, neste querer que excita.

Que sejam nossas escolhas neste mar de emoções,
alvissareiras e prodigiosas em respirar a beleza,
que há de transparecer, abertos todos os porões,
quando fadas e faunos se amarem com real sutileza.

Santos/SP/Brasil
19/04/08 - 08:30 hs

Rio de Escolhas
Guida Linhares

Nas escolhas da vida tecemos fios,
invisíveis e difíceis de prever,
se foram vencidos os desafios,
ou se ainda ficarão a dever.

Às vezes numa encruzilhada,
depositamos as esperanças,
de cruzarmos a nova estrada,
felizes, tal qual as crianças.

Porém enxergando mais perto,
percebemos a sutil miragem,
que desvela um oásis no deserto
em nosso coração sem maquiagem.

Nele, nossos tantos sonhares,
moram nas horas em desconsolo.
A solidão ronda os calcanhares,
nas águas giradas pelo monjolo,

que da vida nos faz prisioneiros
do Amor em toda a sua grandeza.
Metamorfoseados em ceifeiros,
reagimos com toda a sutileza.

E pelo rio do destino navegamos,
escolhendo um dos barquinhos,
aquele sobre o qual depositamos,
nossos desejos de plenos carinhos.

Santos/SP
25/02/08

sexta-feira, 18 de abril de 2008

MOMENTO DE INSPIRAÇÃO

VAGANTE

Guida Linhares


Vago pelo espaço sideral
em busca da minha essência.
Trago a esfera de luz,
retomada do mundo real.
Nele eu era tão solitário,
preso a mecanismos de defesa,
que me algemaram
por longos anos a fio,
a uma telinha de computador,
onde recolhia todas as sensações,
impressões, emoções e sentimentos
que desfilavam ante os olhos,
alimentando os sonhos e as ilusões.
A imaginação era o instrumento de percussão
e nele projetava imagens e sons,
tecia as tramas, era o palco,
o personagem principal, o coadjuvante,
o camarim e a platéia.
No final aplaudia a mim mesmo,
ou angustiado soltava as vaias
em desespero de causa.
Tristonho vagante virtual,
a minha pena sempre foi real.
Aconcheguei corações carentes
que também buscavam afetos e anelos
para aquecer o frio da alma.
Os desejos cada vez se avolumavam mais,
requerendo mais e mais faíscas
a serem lançadas no éter cibernético..
e sempre havia uma nova fêmea
pronta a recebê-la e acender
um fogaréu em seu céu interior.
A quantas amei, a quantas desejei.
Fui muito querido e também ansiado
por desejos reais, sem a sua materialização.
Assim, nenhuma me conheceu realmente,
nenhuma me acariciou, nenhuma me tocou.
Apenas as palavras, soltas pelo céu cibernético,
me fizeram imaginar tantas coisas.
Vagante espectro do meu Eu
Errante nas madrugadas e nas manhãs,
pelas bandas largas e estreitas,
como um meio de suporte
para vencer a
grande solidão das horas.
Meu corpo foi se deformando,
por falta de toques físicos,
por falta do abraço apertado,
do doce beijo molhado.
Meu mundo virtual, fascínio único!
Nele eu era amado,
cercado de carinhosas fêmeas,
que me traziam a desejada alegria,
o encantamento,
o prazer.
Fantasiado de Ser
Idolatrado
Acariciado
Desejado
Tantas vezes seduzido,
outras tantas
fui o charmoso conquistador.
O tempo foi passando veloz,
A solidão ganhando proporções enormes.
Um longo cansaço
tomou conta de todo o Ser.
Pela primeira vez, a telinha ficou às escuras.
Aberto o gabinete, arranquei seu coração!
Uma reluzente esfera, que
em minhas mãos ganhou mais brilho,
acendendo uma sutil esperança,
de viver num mundo mais real.
Assim, em busca da minha essência,
vago pelo espaço sideral.

Santos/SP/Brasil
17/04/08
&&&

quarta-feira, 16 de abril de 2008

MOMENTO SENSUAL



AMOR DE HOMEM
Guida Linhares

Amor de homem
que alucina
fascina
ilumina
quer
E delicia
acarinha
seduz
Ousado
vem
Homem
que projeta assim
a sombra lunar
alumiada esfera
Sentinela lua
"caliente" na madrugada
desencontrada
de si mesma
Some a razão
pra bem longe
fiel
aos apelos
dos corações
Tão sábia
quanto a natureza
que a compôs,
cede espaço
a mais pura emoção
Homem
Em teus braços
o fogo arde
o desejo explode
a boca pede
o desafogo
em profundos beijos
São mãos que visitam
territórios;
são dedos que exploram
a caverna do prazer
e a coluna no templo viril
toda afagada
acariciada
beijada
sugada
atada
dada

Homem e mulher
Tesão a mil
requebros de quadril
Dos corpos
em sensual bailado
envoltos no véu mágico
da paixão descontrolada
Até que
todas as fantasias
sejam desveladas
O nu se revela
à alma que vela
para que ambos
se encontrem a si mesmos,
no êxtase total
Orgasmos de luzes,
energias que se deslocam
pelo espaço sideral,
Corações que disparam
as flechas da conjugação final
na mais completa fusão,
metamorfoses unificadas,
nem mais o homem,
nem mais a mulher..
Um único ser
numa androginia metafórica
prestando o preito
de consagração à Vida e ao Amor!


Santos/SP/Brasil
16/04/08

Tema inspirado na música
Amor de hombre > Silvita Mocedades **


terça-feira, 15 de abril de 2008

Você tem meu coração


Você tem meu coração
Guida Linhares
Meu amado, encanto das horas
Me enfeitiças com a tua doçura
Quando chegas e dizes sem demora
Amor estou ardendo em só ternura

E me chamas pra sentar juntinho
Com mil dengos e afagos me cercas
Não resistirei mais ao teu carinho
Do meu amor espero não te percas.

É claro querido, que estou feliz!
Porque me perderia de ti agora?
Há tanto tempo busco a tua raiz
teu orvalho, teu ser, tua aurora.

Agora que afinal nos encontramos
partilhando de momentos especiais,
realizando tudo o que sonhamos,
me resta concluir amado meu,

que nosso destino estava traçado
Trazes na mão antigo caduceu,
de vidas passadas ao meu lado.

Almas complementares atraídas
pelo imã dos registros akásicos*
quando essências foram abstraídas
de nossos sonhos mais básicos.

De sermos para sempre felizes
até que nos separe a morte
Ou talvez nos junte como matrizes
de um ressurgir que nos comporte

Assim nada mais quero da vida
Cesso aqui por completo a busca
Ter em teus braços a doce guarida
é a sorte minha que nada ofusca

Com teu olhar deveras envolvente
Despertaste a adormecida paixão
Fazendo vibrar a chama ardente,
uma vez que tens o meu coração.
&&&*
* Registros Akásicos > Pela expansão da consciência é possível se ter ciência dos registros Akásicos, dos registros cósmicos. Mas, até mesmo ao nível de projeção da consciência ainda é possível a atuação da força negativa, mas existe bem mais segurança do que em nível da palavra falada e escrita. Como no universo tudo ocorre segundo a lei das vibrações, somente uma pessoa equilibrada pode ter acesso aos níveis elevados de conhecimento e tais níveis são inacessíveis àquela força. Ali ela não pode ter acesso direto. Uma pessoa que tem acesso direto à fonte de conhecimentos cósmicos está menos sujeito a se envolver do que aquela que somente lê ou escuta.

Santos/SP/Brasil

O AMOR


Guida Linhares

E quando ele chega
cessa tudo quanto se busca
E quando ele abre suas asas
que o silêncio se faça
E quando despertares
agradeça a Deus numa prece
Este sagrado relicário
do Amor a te bafejar
E quando os raios do sol
aquecerem a tua alma
E o vento sussurrar
em teus sedentos ouvidos
Te amo, te amo, te amo!
Que sejam como a doce sinfonia
a ecoar nos quatro cantos,
loas ao bem maior,
O Amor que chegou,
mansamente, docemente
em teu coração já cansado
de tanto esperar!

Santos/SP - 15/03/08

domingo, 13 de abril de 2008

Série: Amigos do Coração




















DELICADEZA
Guida Linhares


Ele chegou com a suavidade de uma pena.
Pousou em meu olho esquerdo devagarzinho,
deixando-o arregalado diante da sua magia.
Suas patinhas abraçaram a surpreendida pupila
que dilatou-se, plena de encantamento.
A visão do seu corpo forte e brilhante,
acarinhando meu verde olhar em feitiço,
veio se apossar das minhas asas de sonhos,
convidando-me a voar bem alto,
até onde a linha do horizonte desmaia,
lá onde vive escondido o Amor.
Sei que ele possui o mapa do tesouro,
que poderá me levar ao seu encontro.
De pretendidos e amarelados sonhares
que a cada vez se distanciam mais e mais.
Quando pensava que havia chegado céu,
ele se cobria de pesadas nuvens escuras,
e o temporal desabava impiedosamente.
Chorei muito por tantas decepções,
e os pingos de chuva lavaram a minha face.
Nestes delicados momentos,
lembro do bem maior, meu Deus
que habita as células do meu corpo.
E nele coloco minhas angústias,
e refresco minha alma num Salmo,
o vinte e três que me acalma.
Faz tempo que sentei às margens do rio,
cansada de tantas buscas insanas.
Apreciando as borboletas em seu vôo,
as andorinhas fazendo festa,
os pardais buscando seus ninhos,
o rouxinol chamando a amada.
Consigo ver os grilos contando estórias,
de gafanhotos não mais predadores;
consigo enxergar até mesmo os urubus,
buscando as carniças, predileto alimento.
São criaturas de Deus, tanto quanto
os levíssimos colibris buscando as flores.
Tudo isso consigo ver e contemplar,
nas tardes desmaiadas do outono.
Mas agora tu chegastes tão garboso,
e cravastes em mim o teu olhar.
Confesso que tentei me desviar,
até por conta dos calculados riscos.
Mas impossível resistir
à tua férrea vontade e prontidão.
Agora te vejo pela madrugada afora,
voando livre pelas redondezas,
procurando uma certa janela aberta,
para adentrares e nela pousares
fantasiado de príncipe encantado. E neste vou lúdico e alvissareiro,
trarás a doçura do teu beijo e
o aconchego do teu abraço.
Afagarás o meu rosto com ternura,
e nunca esquecerei tanta formosura.
Ao adormecer entoarei um mantra
sublime aos ouvidos de Deus.
Lançando no éter, o eco do coração,
para que te conserve sempre junto de mim,
como amigo, companheiro, parceiro, irmão.
Mas, quem há de saber das águas do destino?
É na delicadeza dos dias percorridos juntos,
compartilhando mil idéias e tantos sonhos,
que chegaremos a algum lugar,
senão ao Paraíso, conjugando tempo e espaço.
Que seja delicado e eterno tão forte laço!

Santos/SP/Brasil, 13 de março de 2008

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** 13 de Março > Dia Internacional do Beijo **






O BEIJO
Guida Linhares
O beijo
Prelúdio de amor
Intersecção entre o antes
numa promessa eminente
prestes a se desvelar
e o depois...
Um encontro de corpos
em plena efervescência
de sentidos, peles e poros

O beijo
sinaliza a química perfeita,
quando as salivas se misturam.
O gosto de cada um se expande,
como uma única fonte,
jorrando em cascata de prazer.

O beijo
testa o sexo.
Se for bom demais,
tudo o que vem depois
será indescritível.
Se o beijo não despertar
um tesão verdadeiro,
a luz não se acende,
tudo o mais será passageiro.

O beijo
que tire os pés do chão,
fazendo vibrar a total emoção.
Quando as línguas se encontram,
sorvendo todos os licores,
um sentindo o sabor do outro,
deliciando-se em seus néctares,
numa celebração de vida
em brinde ao banquete de Eros,
elevando ao infinito,
os seres amantes alados,
agora metamorfoseados
em Deuses da Paixão e do Amor.

Santos/SP
03/02/08

Publicado no Recanto das Letras em 05/02/2008
Código do texto: T846494

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