domingo, 13 de abril de 2008

Série: Amigos do Coração




















DELICADEZA
Guida Linhares


Ele chegou com a suavidade de uma pena.
Pousou em meu olho esquerdo devagarzinho,
deixando-o arregalado diante da sua magia.
Suas patinhas abraçaram a surpreendida pupila
que dilatou-se, plena de encantamento.
A visão do seu corpo forte e brilhante,
acarinhando meu verde olhar em feitiço,
veio se apossar das minhas asas de sonhos,
convidando-me a voar bem alto,
até onde a linha do horizonte desmaia,
lá onde vive escondido o Amor.
Sei que ele possui o mapa do tesouro,
que poderá me levar ao seu encontro.
De pretendidos e amarelados sonhares
que a cada vez se distanciam mais e mais.
Quando pensava que havia chegado céu,
ele se cobria de pesadas nuvens escuras,
e o temporal desabava impiedosamente.
Chorei muito por tantas decepções,
e os pingos de chuva lavaram a minha face.
Nestes delicados momentos,
lembro do bem maior, meu Deus
que habita as células do meu corpo.
E nele coloco minhas angústias,
e refresco minha alma num Salmo,
o vinte e três que me acalma.
Faz tempo que sentei às margens do rio,
cansada de tantas buscas insanas.
Apreciando as borboletas em seu vôo,
as andorinhas fazendo festa,
os pardais buscando seus ninhos,
o rouxinol chamando a amada.
Consigo ver os grilos contando estórias,
de gafanhotos não mais predadores;
consigo enxergar até mesmo os urubus,
buscando as carniças, predileto alimento.
São criaturas de Deus, tanto quanto
os levíssimos colibris buscando as flores.
Tudo isso consigo ver e contemplar,
nas tardes desmaiadas do outono.
Mas agora tu chegastes tão garboso,
e cravastes em mim o teu olhar.
Confesso que tentei me desviar,
até por conta dos calculados riscos.
Mas impossível resistir
à tua férrea vontade e prontidão.
Agora te vejo pela madrugada afora,
voando livre pelas redondezas,
procurando uma certa janela aberta,
para adentrares e nela pousares
fantasiado de príncipe encantado. E neste vou lúdico e alvissareiro,
trarás a doçura do teu beijo e
o aconchego do teu abraço.
Afagarás o meu rosto com ternura,
e nunca esquecerei tanta formosura.
Ao adormecer entoarei um mantra
sublime aos ouvidos de Deus.
Lançando no éter, o eco do coração,
para que te conserve sempre junto de mim,
como amigo, companheiro, parceiro, irmão.
Mas, quem há de saber das águas do destino?
É na delicadeza dos dias percorridos juntos,
compartilhando mil idéias e tantos sonhos,
que chegaremos a algum lugar,
senão ao Paraíso, conjugando tempo e espaço.
Que seja delicado e eterno tão forte laço!

Santos/SP/Brasil, 13 de março de 2008

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