domingo, 4 de julho de 2010


DIVINA HORA
Guida Linhares

Como a calmaria das ondas no entardecer do dia,
quando se dispersam na areia as marolas rendilhadas
e os últimos raios de sol se deitam lá longe no horizonte,
a Hora do Ângelus prenuncia a doce presença de Maria.

E a serenidade toma conta de todos os corações,
que vibram em uníssono com esse divinal momento.
Maria com seu manto sagrado a não deixar ao relento,
os seres humanos em busca de proteção e luminosidade.

Doce Maria, que vem nos proteger de todos os tormentos.
Dos corações que desejam cultivar um amor sereno,
que seja a Virgem Maria a lhes trazer o alento,
de unir almas e corpos que se ajustem e que se queiram.

Virgem Maria que pariu Jesus Cristo, em santa virgindade,
que o viu correr livre pelos campos como qualquer menino,
que mais tarde viu seu filho debater com os sábios do templo,
mas que chorou as lágrimas de sangue, ao vê-lo pendurado na cruz.

Sofrida Maria como tantas mulheres de todos os tempos,
cujo sacrifício de amor de amor a seus filhos foi tão imenso.
Marias doadoras de si mesmas, Marias mal amadas, abandonadas
mas que nunca deixaram de doar de si, o seu melhor lenimento.

Que sejam sempre abençoadas em seu mister e sua resignação.
Exemplos de fé, humildade e amor, tombadas como matrizes
que o Supremo Criador talhou, para que dessem continuidade
à espécie humana, transbordando vidas para a sua evolução.

Santos/SP/Brasil
12/03/08


AMOROSA SURPRESA
Guida Linhares

Já nem te esperava mais.
Pensei que havias desistido,
pois nunca mais falastes comigo.
Por muito tempo fomos tão amigos,
proseávamos a não mais conter,
tudo aquilo que gostávamos
de juntos compartilhar.

Mil ilusões,
reiterados sonhos,
um caminhão de idéias.
De repente,
um desencontro
colocou um ponto final...

Ponto final?
Sim, chegou a parecer reticências...
até mesmo exclamação!
Ah!!!
Sei!!!
Nem vem!!!
Afinal haviam tantas interrogações
???
Pois você sempre foi muito,
como direi...
emotivo, temperamental e
até se melindrava demais.
Tempestuoso às vezes até
num simples copo d`água.

Metáforas à parte,
sempre tivestes o meu carinho,
e a recíproca foi reforçada
pelo teu jeitinho de ser e ficar.

Mas de tempos em tempos,
ficávamos de mal...de mal
e assim chateados,
fechávamos as nossas janelas,
um ao outro
e deixávamos fluir
os serenos da noite,
orvalhos da manhã
e as chuvas de verão
em outras tantas
janelas do coração.

Mas sabias o meu endereço
e numa tarde mais fria,
a campainha toca.

Quem será fico pensando...
Abro a porta e vc entra...
Nossa, nem dá pra acreditar!

Olhos nos olhos,
ao vivo e a cores,
como sempre devaneamos.

Nos concedemos o melhor dos sorrisos,
nos abraçamos com a ternura antiga
dos velhos papos.

Sentastes no meu sofá,
abrimos o livro das lembranças,
rimos e choramos até não mais poder,
parecíamos duas crianças.

Em dado momento percebemos
que o carinho imenso iluminava a sala,
então nos aproximamos um pouco mais.

Sentamos bem pertinho,
você pôs a mão no meu queixo,
eu deslizei os dedos em torno dos teus olhos,

e então..
ah!!! Então...
nossa, nem dá pra acreditar...
Você
eu
nós
trocamos o beijo mais doce
da face da Terra!

Santos/SP/Brasil
13/03/08